Olá.
Depois de um tempo sumido estou reativando as postagens, espero que todos gostem de tudo.
Esta crônica foi publicada no jornal laboratório da Faculdade Una, e resolvi disponibilizar. Espero que gostem.
DOIS MINUTOS
Charles Cristiano de Faria
A cada dois minutos uma pessoa morre no continente africano, vítima da AIDS. Acredita-se que em dez anos 30% da população de alguns países esteja infectada, o que poderá reduzir a expectativa de vida nestas regiões para cerca de trinta anos. Pergunto-me quanto de verdade há nestas estatísticas, que acabo de ver em uma reportagem.
A resposta é simples e talvez pior, pois elas são baseadas em informações oficiais, deixando todos os casos não registrados de fora.
O mundo vira as costas para todas as vítimas da falta de informação ou condições de prevenção, preferem transformar cada vítima em um emaranhado de números. Um dado estatístico não tem pai, filho ou esposa. Não tem casa nem amigos. Não tem emprego ou pega o ônibus. Um dado estatístico não senta ao nosso lado na lanchonete, tampouco disputa um táxi ou vai ao estádio de futebol torcer por seu time. Um dado estatístico é apenas um número. Um número é menos ainda quando está do outro lado do oceano, num lugar onde até os potentes satélites do homem mudam a rota, para não registrar a dura realidade vivida.
Aqui na Terra de Santa Cruz, o grande vilão é nossa própria irresponsabilidade, social ou pessoal, não importa.
Milhões são gastos em campanhas de prevenção. Muito se é falado nas escolas, jornais ou televisão. A epidemia nem é recente, já atingiu a maioridade. A todos os lugares que olhamos vemos alertas sobre seus perigos.
Somos vítima de nossa própria ignorância, a crença de que ‘irá acontecer com o outro e não comigo’, faz com que nos sintamos como deuses inatingíveis, e quando abrimos os olhos, percebemos que a todo instante um olimpo se desfaz, e como anjos caídos sofremos as conseqüências de nossas próprias atitudes.
Aqui como lá ainda há salvação, basta cada um sair de sua acomodação e viver com atitudes responsáveis, quem sabe um dia lerei por aí: “A cada dois minutos uma vida é salva na África, terra mãe de todos os povos.”
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